OS SERVIDORES PÚBLICOS É QUE PAGAM O PATO
16/12/2010, atualizado em 28/08/2014

 

Por que é assim? Servidor público é sempre quem paga o pato.  Estado ajuda banqueiro; governo desvia dinheiro; gestores públicos cometem crime contra a economia; etc. e, quando a economia fica mal,  vem os cortes de gastos públicos.  Aí, de onde sai?  Enquanto os chefes do poder se dão grandes aumentos de remuneração, os servidores públicos que nada têm a ver com essas irregularidades não podem ter reajustes, porque o Estado precisa conter gastos.  Por que é assim?

A Grécia, recentemente, começou a sofrer as consequências das ajudas exageradas ao setor privado, decidiu cobrar dos funcionários públicos a conta.

No nosso país, é público e notório, os que estão no poder, quando falam de contenção de gastos, olham direto para os vencimentos dos funcionários, que não têm nada vinculado aos membros do poder.  Esses, sim, aumentam os próprios salários, esteja a economia como estiver.

Há poucos dias, o ministro Mantega falou do "reajuste do Judiciário" como "projeto nocivo aos cofres públicos".  Quando se fala de "reajuste do Judiciário" está-se referindo, não aos juízes e ministros, mas aos funcionários, aqueles que não participam do poder.   Enquanto isso, os parlamentares estavam planejando os aumentos das próprias remunerações.    

E o pior é que essas coisas são vistas com naturalidade pela população.  Os funcionários públicos sempre são vistos como os vilões.   A propaganda governista de desmoralização dos servidores públicos é muito comum.  Os protegidos do poder desviam dinheiro, fazem outras coisas irregulares,  o nome funcionário público aparece.   O órgãos são mal aparelhados, o número de funcionário é sempre reduzido, cada vez mais insuficiente para um bom atendimento à grande demanda que sempre cresce, os funcionários são vistos como os responsáveis pelo mau serviço.   No final das constas, todos estão contra os servidores que sofrem os desmandos dos governantes.

 

"Para grande parte da população brasileira, o ingresso nas inúmeras carreiras públicas significa a estabilidade financeira e segurança de uma aposentadoria justa e tranquila. Entretanto, quem já integra o quadro do poder público sabe o quanto é difícil laborar para o Estado, pois o acesso e a facilidade do desconto na folha de pagamento seduzem o erário, que por diversas vezes busca equilibrar suas contas públicas à custa dos salários dos servidores.

Nunca é demais lembrar. Recentemente, os inativos que contribuíram sua vida inteira para a manutenção do plano de previdência, foram “agraciados” pelo Estado com a contribuição de 11% sobre seus proventos.

Por outro lado, o nefasto sistema inflacionário vivido nos tempos de estabilização da moeda corrói o poder de compra do servidor, que tem sua remuneração fixada em faixas rígidas definidas em lei, enquanto os preços das mercadorias aumentam de acordo com o movimento do mercado (oferta x procura).

Digo que a inflação é mais nefasta no atual período, pois o que se vê é a falta de indexação da remuneração dos servidores aos índices inflacionários, gerando um dano mais grave do que quando a inflação, mesmo em patamares elevados, corrigia os preços das mercadorias e os salários dos trabalhadores.

O legislador constituinte derivado instituiu a obrigatoriedade da referida indexação ao dispor no artigo 37, inc. X, da CF/88 que o salário dos servidores somente pode ser fixado ou alterado por lei específica, assegurada revisão geral anual.

O dispositivo impôs o dever da regra da revisão geral anual da remuneração de forma a minimizar os efeitos da perda de poder aquisitivo da moeda no processo inflacionário. Mas não são raras as vezes em que o Governo se “esquece” de editar lei específica e, quando o faz, tenta burlar o regramento quanto à obediência da igualdade de índices, sem distinção entre servidores
." (Fonte: Anajustra, 17/1/2011).
 

Banco sempre recebem apoio do Estado, seja onde for, Estados Unidos, Europa, etc.  As empresas, principalmente as grandes, sempre são olhadas pelos condutores do poder com bons olhos, porque pagam impostos ao Estado.  Os funcionários públicos, sem os quais o Estado não arrecadaria esses impostos, e que também pagam altos impostos ao Estado, são visto sempre como despesas, e os serviços que eles prestam não são levados em conta.   E o grosso da população sempre está insatisfeito com a escassez dos serviços públicos,  e aos seus olhos os responsáveis por isso são os trabalhadores em vez daqueles que levam os serviços a esse estado lastimável.

 

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